Outubro 20, 2009

Para você, minha loucura

É constante, é o senso comum.
Mas não o dia-a-dia.
São notas distorcidas em uma melodia suave. Uma palavra discreta soprando no silêncio.
É a noite para um dia, ou o final de semana para a semana.
Mas não o recesso.
Se você pode compreender nas entrelinhas, não precisarei então ser explícito.
Você habita os meus sonhos.
Há um pouco de você, neles.
Você é um milhão de metáforas, e todas elas se contradizem.
A felicidade não é breve, e o amor é eterno.

Felipe Cavalcanti

Outubro 7, 2009

13º

Acordando sem vontade, esperando sem saber, sabendo que nada mais é igual, nunca vai ser como eu quero.

Será que nunca vai ser? Será que se eu procurasse melhor?

Sei que existe melhor, mas será que eu quero melhor?

Justo eu que era super decidido, sem medo do amanhã.

Carlos Alberto Rodrigues

Setembro 28, 2009

Contas

Acordo sem você do meu lado, mais um dia pro começo de nossas vidas. Quantos faltam eu ainda não sei, mas me sinto feliz de faltar menos um.

Banho e café tomados, barba feita, cabelos e dentes escovados, camisa azul listrada com calça jeans e um tênis nike, somando tudo uns dois mil reais. Na carteira vinte. Na conta jurídica menos dez. Na física menos novecentos. Trinta cheques no SPC e uma vida inteira pela frente.

Como escapar eu ainda não sei, ou até saberia se tu não estivesse em minha vida.

Vinte e quatro  minutos no telefone fizeram vinte e quatro horas terem sentido.

Um SMS fez toda a diferença.

Um misto quente, uma batata frita e uma briguinha boba, por favor, o resto eu pego no frigobar.

Setembro 21, 2009

Bisnetos

Domingo, me deito na rede, mais um dia feliz, sol, praia, mar.

Vejo a pirralhada correndo, o cachorro latindo, toda a família reunida, felicidade. Olhando pra trás nunca me imaginei fazendo tudo isso, com todos os sonhos realizados, solidão era o sonho, improvável era a riqueza e paixão algo que não existia a muito tempo.

Adoro ouvir o choro e o chamado: Vô, vô, vô, a vó Mari tá falando que tu peidou hoje de manhã, que feeeeio.

Adoro meus bisnetos.

Setembro 21, 2009

Brunando

Sentindo toda a raiva que poderia suportar, com o estômago borbulhando de café em seu emprego diário, Ricardo leva a vida mais um dia pra frente, arrastando tudo com a barriga.

Lembrando onde estará sua maior amante. Conversando com um ex-melhor-amigo. Lembrando as merdas que fez e que vai fazer. Imaginando o que pode estar acontecendo e o que pode ter acontecido. Fazendo coisas que a tempo não faz. Lembrando da vida antiga, a vida bandida, a vida vivida, a vida ligada, a vida.

Lembrando e rindo. Lembrando e esquecendo.

Vivendo.

Brunando.

Julho 28, 2008

Brother

Mais uma noite que passo em casa, mais um ônibus que eu pego para fugir do trabalho, mais pessoas estranhas que eu encontro e mais gente passando fome passam por mim. Nossa cidade é isso, de repente me vejo como mais um invisível, mais uma alma sem dor e sem vibração, o bafo quente de mais uma noite de verão não me afeta dessa vez, me sinto só e deprimido. Tenho na agenda do celular o telefone de umas vadias mas não, dessa vez não, sem sexo forcado essa noite, não quero ficar melhor hoje, não quero fazer ninguém melhor hoje. Hoje é o tipo do dia que todos podiam morrer e eu ir junto, olho para o céu esperando que alguma coisa caia sobre a minha cabeça, qualquer coisa já me deixaria feliz, de preferência o teto, mas o lustre da sala já é o suficiente.

Após umas bongadas desisto e vou para o banho, lá as chances de alguma catástrofe acontecer são maiores, eletricidade e água são coisas que combinam nesses momentos, saio do banho são e salvo, valeu brother!

Ligo a TV, vejo mais uma luta de boxe na ESPN, nada demais, um ruim lutando com um mais pior, sem esquiva, sem vontade, me lembrou bastante minha época de colegial.

Olho para a estante, o CD que ganhei de aniversário das Velhas Virgens, o bom e velho Rock And Roll, valeu brother! Ligo e resolvo dormir, nada melhor a fazer por hoje, adormeço no meio da fumaça.

Valeu brother!

Julho 28, 2008

Mari

Mariana se vê mais uma vez no espelho, seu rosto pálido e suas pupilas dilatadas não escondem sua vontade de entrar no seu reflexo para destruir quem ela vê. Mariana odeia o espelho, ele reflete exatamente o que ela tenta sempre esquecer, ele a faz lembrar de tudo que ela sempre quis ser, de todos os sonhos que ela perdeu, de toda vomitada para ficar no peso ideal.

Mais uma corrida para o banheiro, ela não lembra de ter comido nada vermelho, ela chora e vê mais uma vez seu sangue indo embora, novamente o espelho a chama, ela precisa ver a verdade, ela precisa se ver, ela não quer, ela sofre, mais uma cheirada e ela esquece de tudo.

Pronto, não precisa mais olhar para o espelho, coloca a roupa, pega a carteira do cara dessa noite, tem 70 reais, o suficiente para mais uma ou outra cheirada e chegar em casa de taxi.

No elevador ela limpa o sangue do nariz no espelho, agora ele não faz mais efeito nela, o filho da puta do espelho não faz mais efeito nela, ela está forte, supera tudo e a todos.

Seu vestido, sapato preto e maquiagem não demonstram a dor que ela sente pela noite de prazer, o que deixa a mostra é somente a gigante mancha roxa em volta do seu olho e os chupões no pescoço.

Para ela foi só mais uma noite de sexo e drogas, mariana chega em casa e o telefone toca, o numero ela conhecia muito bem, ela não acredita que era esse numero, podia ser qualquer um, menos esse, na mesa de centro da sala tem uma carreira pronta, ela se prepara antes de atender o telefone, pronto, esta forte de novo.

- Alô?

- Mariana?

- Ricardo, o que você quer?

- Faz 6 anos que não nos falamos, o que ta fazendo da vida?

- Ah, virei juíza e você?

- Ah, realizei meu sonho, agora moro na praia e tenho um restaurante, vamos nos reencontrar?

- …

- Mariana?

- …

- É tu não mudou nada mesmo não é sua teimosa?

- É a vida ta perfeita demais pra ser verdade.

-Sabe o que eu sempre quis fazer mariana?

- …

- Te mandar tomar no meio do olho do seu cu, sua vagabunda, aposto que tu virou uma vagabundinha cheiradora, aposto meu corvette nisso.

- É, acho que tu nasceu para apostas.

Junho 23, 2008

Seu Ricardo

Lá está Seu Ricardo, o mais boa pinta da sua cidade, algo em torno de 2000 habitantes, pelo que lembro a cidade era do interior de Minas, cidade de conto de fadas, ele tinha sua vida boa, sua boa vida na cidade.

Mas como toda cidade pacata, a dele também era pacata.

Tinha seu terreno, sua casa boa, nada de luxuoso, mas era uma casa boa. Os vizinhos o invejavam -cara que boa casa, cara que boa familia, cara que boa esposa, cara que bom carro – escutava invejosos comentando sobre sua vida o tempo todo, mas ele sentia que algo o faltava.

Seu Ricardo sempre foi aventureiro, na verdade Seu Ricardo encontrou aquela cidade por acaso, ele morava em outra cidade, algo como São Paulo, era festa todo dia, o dia todo. Uma cidade para ele, mas ele sentia que algo o faltava. Muitas tempestades o levaram a atracar seu barco por ali, ele comecou a gostar dessa vida, dessa familia, desse carro e desses vizinhos invejosos.

Só que Seu Ricardo é aventureiro nato, 3 curtos anos se passaram e ele sentiu que o mar estava chamando-lhe para ir a procura de novas cidades, novas familias, porque é claro, Seu Ricardo tem sangue aventureiro.

Sem se despedir muito bem dos vizinhos e da família, Seu Ricardo partiu em busca de novos horizontes, a cidade ficou chocada, saiu em jornais e em televisões locais.

O que aconteceu depois daí eu não posso afirma-lhes muito bem, fiquei na cidade.

Pelo que sei depois de uma ou duas semanas de chorumelas a cidade voltou com a programacão normal, a tv voltou a mostrar propagandas de mulheres com pouca roupa e sua familia ja tinha se acostumado com a falta de Seu Joaquim, digo qual era mesmo o nome dele?